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"O
Brasil é o meu público"
Entrevista:
Mazzaropi / Veja 28-01-1970
De
Jeca a Djeca, um sucesso de 25 anos, com os cinemas
sempre lotados
Por Armando Salem Esta semana, mais um de seus
filmes está sendo lançado nos cinemas de São Paulo
para depois correr o Brasil. "Uma Pistola para Djeca".
Produtor, ator, criador do personagem, ele é capaz de
jurar que Djeca não vem de Django, o pistoleiro
italiano: "Djeca é um herói caboclo do Brasil do
século XIX". Ele é Amácio Mazzaropi, sucesso
garantido em bilheteria, um homem que dá risadas das
histórias contadas a respeito de sua fortuna. Mora numa
casa classe média - três quartos, sala, banheiro,
cozinha - num bairro classe média de São Paulo. Na
garagem, um automóvel Galaxie amarelo, que Mazzaropi
mesmo dirige, desmente uma das histórias: a do
bilionário caipira que - charuto na boca, terno de linho
branco trocado pelo chapéu-coco, chofer na direção de
um magnífico Rolls-Royce - de vez em quando passeia nas
ruas da cidade. Parece ser um homem simples, como os
personagens que viveu durante 25 anos (completa o jubileu
este ano) nas telas dos cinemas nacionais. Tem um pouco
do "Zé do Periquito", do "Padre", do
"Corinthiano".
Solteirão nascido na capital de São Paulo em 9 de abril
de 1912, filho de um casal classe média, Dona Clara e
Bernardo - um próspero dono de mercearia - iria crescer
sem problemas financeiros mas com muita preguiça: mal
conseguiu terminar o ginásio. Do avô Amácio Mazzaropi
(imigrante italiano que foi trabalhar nas terras do
Paraná) não herdou só o nome, mas o gosto pela vida do
campo que o levou um dia a pesquisar no interior o
personagem de calças curtas, canela aparecendo, botinas,
fala arrastada - o caipira Mazzaropi.
DO CIRCO AO
CINEMA, SEMPRE O MESMO PERSONAGEM
Veja - Qual
é o seu público?
Mazzaropi - Meu público é o Brasil, do
Oiapoque ao Chuí. Eu loto casa em São Paulo, Rio de
Janeiro, Espírito Santo, Acre, Rondônia, Rio Grande do
Sul, Rio Grande do Norte, ilha do Bananal...
Veja - Sim,
mas como você definiria esse público: gente simples,
classe baixa, elite, velho, moço?
Mazzaropi - É público bom, fiel.
Veja - Você não
gosta de falar?
Mazzaropi - Não.
Veja - Por quê?
Mazzaropi - Porque deturpam tudo o que eu falo.
Veja - Quem
deturpa?
Mazzaropi - A crítica. A imprensa.
Veja - E como se
faz para contar quem é Mazzaropi e o que ele pretende
fazer daqui para a frente?
Mazzaropi - Conte minha
verdadeira história, a história de um cara que sempre
acreditou no cinema nacional e que, mas cedo do que todos
pensam, pode construir a indústria do cinema no Brasil.
A história de um ator bom ou mau que sempre manteve
cheios os cinemas. Que nunca dependeu do INC - Instituto
Nacional do Cinema - para fazer um filme. Que nunca
recebeu uma crítica construtiva da crítica
cinematográfica especializada - crítica que se diz
intelectual. Crítica que aplaude um cinema cheio de
símbolos, enrolado, complicado, pretensioso, mas sem
público. A história de um cara que pensa em fazer
cinema apenas para divertir o público, por acreditar que
cinema é diversão, e seus filmes nunca pretenderam mais
do que isso. Enfim, a história de um cara que nunca
deixou a peteca cair.
Veja - Conte então
sua história.
Mazzaropi - Quando eu comecei minha vida
artística, muito pouca gente que vai ler esta história
existia. Nasci em 1912, e na época em que comecei tinha
uns quinze anos. Naquele tempo, o gênero de peças que
fazia sucesso no teatro era caipira. E, como todo mundo,
eu gostava de assisti-las. Dois atores, em particular, me
fascinavam. Genésio e Sebastião de Arruda. Sebastião
mais que Genésio, que era um pouco caricato demais para
meu gosto. Nem sei bem por que, de repente, lá tava eu
trabalhando no teatro. Mas não como ator - eu pintava
cenários. Aliás, eu amava a pintura, sempre amei a
pintura. Pois bem, um belo dia "perdi" o pincel
e resolvi seguir a carreira de ator. No começo procurei
copiar a naturalidade do Sebastião, depois fui para o
interior criar meu próprio tipo: caboclão bastante
natural (na roupa, no andar, na fala). Um simples caboclo
entre os milhões que vivem no interior brasileiro.
Saí pro interior um pouco Sebastião,
voltei Mazzaropi. Não mudei o nome (embora tivessem
cansado de me aconselhar a mudá-lo) por acreditar não
haver mal nenhum naquilo que eu ia fazer. Os amigos
diziam que Mazzaropi não era nome de caipira, que era
nome de italiano, mas eu respondia para eles que, se não
era, iria virar. Que eu não tinha vergonha do que ia
fazer e, por isso, ia fazer com meu nome. E o público
gostou do meu nome, gostou do que eu fiz. Turnês em
circos, teatros, recitando monólogos dramáticos,
fazendo a platéia rir, chorar. Mas sempre com uma
preocupação: conversar com o público como se fosse um
deles. Ganhava 25 mil-réis por apresentação quando
comecei, passei a ganhar bem mais quando montei a minha
própria companhia (1). De nada adiantou a
preocupação dos meus pais quando eu saí de casa:
"quem faz teatro morre de fome em cima do
palco". Eu fiz e não morri, pelo contrário, sempre
tive sorte - sempre ganhei dinheiro. Mas eu era bom, era
o que o público queria. Em 1946 assinava um contrato na
Rádio Tupi - onde fiquei oito anos. Em 1950 ia para o
Rio de Janeiro inaugurar o canal 6, e começava minha
vida na televisão (2). Um dia, num bar que havia
pegado ao Teatro Brasileiro de Comédia, entrou Abílio
Pereira de Almeida. A televisão estava ligada, o
programa era o meu. Ele me viu. Uma semana depois, uma
série de testes me aprovava para fazer o meu primeiro
filme: "Sai da Frente". Meu primeiro salário
no cinema - 15 contos por mês. No segundo já ganhava
30, depois 300, hoje eu produzo meus próprios filmes. E
o público, como no meu tempo de circo, vai ver um
Mazzaropi que faz rir e chorar. Um Mazzaropi que não
muda.
A MÁGOA DE MAZZAROPI:
UMA CRÍTICA QUE SÓ PENSA EM DINHEIRO
Veja - Sua
história parece girar em torno de cifras. Você é louco
por dinheiro?
Mazzaropi - Não, acho que dinheiro não traz
felicidade na vida. Tá certo que ajuda, mas, em
compensação, quem tem, além de viver intranquilo,
passa a ter desconfiança em vários setores da vida.
Quem tem dinheiro sempre duvida de quem se aproxima -
não sabe se é um amigo ou se vem dar uma bicada.
Veja - Quanto você
ganha?
Mazzaropi - Mas por que vocês se preocupam tanto
com o que eu ganho? Vão perguntar pro Pelé, que marcou
mil gols. Ele é muito mais rico que eu. Tudo que tenho
em meu nome é a casa onde moro. O resto está tudo em
nome da Pam-Filmes.
Veja - Tem sócio?
Mazzaropi - Não, não tenho. Tenho o necessário
para pensar em fazer amanhã ou depois a indústria
cinematográfica de que falei. Tenho câmeras de filmar,
holofotes, lâmpadas, cavalos, cenários, agências em
São Paulo, Rio, Norte do país, e uma fazenda de 184
alqueires no Vale do Paraíba - Taubaté - que serve
perfeitamente de estúdio para os filmes que rodo. Como
vê, tudo que ganho é aplicado na Pam-Filmes, no cinema
brasileiro. E depois vêm esses críticos de cinema
metidos a intelectuais dizendo: "O Mazzaropi tá
cheio de dinheiro. Ele tá podre de rico. Não sabe onde
pôr o dinheiro". Não são capazes de entender que
eu faço cinema como indústria. E o cinema é uma
indústria como qualquer outra. Eu faço o
cinema-indústria e vou fazer a indústria brasileira de
cinema.
Veja - Acredita
mesmo nisso?
Mazzaropi - Acredito e não estou longe dela. Não
uma indústria exportadora. Não sou visionário. Uma
indústria que seja capaz de suprir o mercado interno de
filmes é o suficiente. Não podemos pensar em conquistar
o mercado externo - nós não temos nem lâmpadas aqui.
Tudo que temos vem de lá. Mas, se nós pudermos ter uma
indústria produzindo fitas nacionais, se nossas salas
ficassem ocupadas por fitas nacionais, quanto dinheiro
nós estaríamos evitando de mandar para fora!
Veja - É um sonho
muito bonito. Mas há público no Brasil para fitas
nacionais? Ou seria a falência dos exibidores?
Mazzaropi - Não posso falar pelos outros porque
não conheço os resultados dos números daquilo que eles
fazem. Tenho muita vaidade em dizer que eu não tenho
nenhum problema de exibição de meus filmes. Os
exibidores fazem fila na porta da Pam-Filmes. O público
vai ver minhas fitas e sai satisfeito. Eu já consegui
colocar 13000 pessoas num dia, nas várias sessões do
Art Palácio, em São Paulo. Com isso, ando de cabeça
erguida. Agora, pelo outro tipo de filme feito no Brasil,
não respondo. Não sei se ele pode ajudar a indústria
cinematográfica nacional.
Veja - Que outro
tipo de filme?
Mazzaropi - Esse tal de Cinema Novo.
Veja - Você é
contra o Cinema Novo?
Mazzaropi - Não, eu não tenho nada contra ele.
Só acho que a gente tem que se decidir: ou faz fita para
agradar os intelectuais (uma minoria que não lota uma
fileira de poltronas de cinema) ou faz para o público
que vai ao cinema em busca de emoções diferentes. O
público é simples, ele quer rir, chorar, viver minutos
de suspense. Não adianta tentar dar a ele um punhado de
absurdos: no lugar da boca põe o olho, no lugar do olho
põe a boca. Isso é para agradar intelectual.
Veja - Você parece
ter muito raiva dos intelectuais.
Mazzaropi - E tenho mesmo. É fácil um fulano
sentar numa máquina e escrever: "Hoje estréia mais
um filme de Mazzaropi. Não precisam ir ver, é mais uma
bela porcaria". Mas não explicam por quê. Talvez
com raiva pelo fato de eu ganhar dinheiro, talvez por
acreditarem que faço as fitas só para ganhar dinheiro.
Mas não é verdade, porque o maior de todos os juízes
fugiria dos cinemas se isso fosse verdade - o público.
Veja - O que você
acredita oferecer para o seu público?
Mazzaropi - Distração em
forma de otimismo. Eu represento os personagens da vida
real. Não importa se um motorista de praça, um torcedor
de futebol ou um padre. É tudo gente que vive o
dia-a-dia ao lado da minha platéia. Eu documento muito
mais a realidade do que construo. Quando eu falo tanto na
parte comercial, não quer dizer que é só com isso que
eu me preocupo. Se um crítico viesse a mim fazer uma
crítica construtiva, mostrar uma forma melhor de eu
ajudar o público - eu aceitaria e o receberia de braços
abertos. Mas em momento nenhum aceitaria que ele tentasse
mudar minha forma de fazer fitas. Elas continuariam as
mesmas, pois é assim que o público gosta e é assim que
eu ganho dinheiro para amanhã ou depois aplicar mais na
indústria brasileira do cinema. E se os críticos se
preocupassem menos com o que eu ganho e mais com as salas
vazias do Cinema Novo entenderiam que cinema sem dinheiro
não adianta. Que não adianta a gente começar pondo o
carro adiante dos bois.
Veja - Quanto
rendem seus filmes
Mazzaropi - A resposta só pode ser dada pela
contabilidade do escritório da Pam. É lá que eu
confiro os balanços. De cabeça só tenho as cifras da
renda total do filme que exibi no ano passado: "O
Paraíso das Solteironas". Do dia da estréia, 24 de
janeiro de 1969, até 19 de janeiro de 1970, o filme
rendeu 2 bilhões e 650 milhões de cruzeiros velhos.
Veja - Quanto
custou a produção?
Mazzaropi - Não me lembro.
Veja - E a do
último?
Mazzaropi - "Uma Pistola para Djeca"
ficou entre 500 e 600 milhões de cruzeiros velhos. É o
meu filme mais caro e mais bem cuidado. Colorido
especial, guarda-roupa especialmente feito para o filme,
que está, realmente, muito bonito. Procuro sempre
melhorar a qualidade técnica dos filmes que produzo. É
este o algo mais que eu procuro dar ao público.
Infelizmente, o que falta no Brasil é gente inteligente,
que entenda de cinema. Faltam diretores, roteiristas,
cinegrafistas, falta tudo.
Veja - Dos papéis
que já representou, qual o mais importante?
Mazzaropi - Gostei de todos os filmes que fiz, por
isso é difícil dizer qual o papel que mais me realizou.
Veja - Não teria sido "Nadando em
Dinheiro"?
Mazzaropi - Quem sabe! Não é verdade, é
brincadeira. Gostei do Candinho, do Motorista, do
Corintiano, gostei mesmo de todos. Mas talvez eu fique
com a opinião do presidente da Academia Brasileira de
Letras, que, no dia 17 de janeiro de 1968, escrevia e
assinava um bilhete dirigido a mim (eu o guardo até hoje
num quadro sobre a lareira de minha sala):
"Astraugesilo de Ataide considera que, com
"Jeca Tatu e a Freira" Mazzaropi alcançou no
cinema o mais alto nível de sua arte. É hoje, sem
nenhum favor, um artista de categoria
mundial".
A FAVOR DO PALAVRÃO
MAS CONTRA OS EXAGEROS DO SEXO
Veja - Você
contou ter entrado no teatro através da pintura. Até
hoje você pinta?
Mazzaropi - Não, apenas gosto.
Veja - Que gênero
prefere?
Mazzaropi - Sou um conservador, prefiro a pintura
clássica. Principalmente dos quadros que têm paisagem,
talvez por me fazerem lembrar o campo, o contato com a
natureza.
Veja - E quanto a
leitura?
Mazzaropi - Só leio "Tio Patinhas".
Veja - Sente
saudade do teatro?
Mazzaropi - Oh, se sinto. Mas de vez em quando dá
pra matá-la. Faço alguns shows beneficentes em circos e
teatros do interior.
Veja -
Representando coisa séria? Ou vivendo o caipira
Mazzaropi?
Mazzaropi - É muito difícil separar um do outro.
Eu já fiz teatro sério: interpretei "Deus lhe
Pague" e "Anastácio", de Juracy Camargo;
"Era uma vez um Vagabundo", do Wanderlei, e
várias peças do Oduvaldo Viana. Em todas elas eu sempre
fui Mazzaropi. Não interessa se fazia o público rir ou
chorar. Ele sempre estava vendo o Mazzaropi, pois eu não
posso mudar meu jeito de rir, falar, olhar.
Veja - Você vai
muito ao teatro?
Mazzaropi - Sim, bastante.
Veja - O que pensa
do novo teatro, do palavrão, do nu?
Mazzaropi - Não tenho nada contra ele. Pelo
contrário, até gosto das peças que têm nu, palavrão,
mas quando eles vêm por necessidade, por decorrência da
própria história. Não do palavrão, do nu forçados.
De um punhado de gente pelada se esfregando
maliciosamente pelas paredes do teatro; do
sensacionalismo para ganhar público. No início, eles
vão conseguir encher os teatros - é certo. Mas e
depois, este público volta? Não, claro que não volta.
Nem a minoria que vai ao teatro consegue agüentar ficar
vendo gente pelada e ouvindo palavrões o tempo inteiro.
Calculem a população de São Paulo e façam uma
relação do número de teatros que nós temos e vejam
quantos estão cheios. Vejam quantos lugares têm esses
teatros - e verão que a freqüência é mínima. O
grande público fica em casa. Aceita Chacrinha, Sílvio
Santos, Hebe Camargo, vê televisão. Vai ao cinema ver
os meus filmes e depois eu passeio pelas ruas e ouço um
pai de família: "Mazzaropi, seus filmes são
ótimos. A gente pode levar a família para
assisti-los". Já imaginaram se eu aparecesse pelado
para esse público? Ele nunca mais iria me assistir no
cinema.
Veja - Você falou
na aceitação da televisão. Por que não volta a fazer?
Mazzaropi - Já tenho muito trabalho com a
Pam-Filmes. Faço um filme por ano - mas ele dá um
trabalho! Cinco meses de preparação de roteiro,
cenários, etc. Dois meses para filmar. O resto é
problema de distribuição. Não dá para fazer mais
nada. E não estou mais na idade de ter patrão. Tenho
meu negócio, trabalho a hora que quero. Não dou
satisfação a ninguém. Na TV eu iria ter
patrão.
Veja - Mas você
gosta de televisão?
Mazzaropi - Oh, se gosto. Assisto sempre. Tudo que
consegue se comunicar com o público me fascina. Gosto do
Sílvio Santos e da Hebe, principalmente. Eles vieram do
nada como eu. Ganham dinheiro para divertir o público, e
divertem. Não adianta nada a crítica chamar a Hebe de
burra. Ela nunca disse para ninguém que era professora.
Não adianta dizer que ela só fala bobagens - o público
gosta do que ela fala. E quem manda é o público.
Veja - Tem planos
para o futuro?
Mazzaropi - Sim, continuar fazendo filmes até
morrer - é a única coisa que sei fazer na vida. Quero
morrer vendo uma porção de gente rindo em volta de mim.
Observações do Museu
Mazzaropi
(1) Após realizar
seu último filme pela Cinedistri, Chico Fumaça,
de 1956, Mazzaropi já era famoso no cinema nacional e
resolveu que estava na hora de investir em si mesmo. Isso
porque via as grandes filas no cinema e eram, geralmente,
os donos das produtoras que sempre ganhavam muito
dinheiro.
O sucesso de Chico
Fumaça fez com que Mazzaropi comentasse com sua
mãe, Dona Clara, que o proprietário da companhia
Cinedistri, sr. Massaini, ganhara muito dinheiro com o
sucesso dos filmes em que ele participara e pediu para
que ela o apoiasse num investimento que pretendia fazer.
Ele queria produzir um
filme, mas para levar seu projeto adiante não hesitou em
se desfazer dos seus bens: dois carros Chevrolet
americanos, terrenos, economias bancárias e perguntou ao
seu filho de criação, Péricles Moreira, se fosse
necessário, se ele não se importaria em trocar o
colégio particular por um colégio estadual. Mazzaropi
ficou apenas com o terreno do Itaim Bibi.
Em 1958, consegue produzir
seu primeiro filme, Chofer de Praça. Não foi
fácil, no início teve que alugar os estúdios da Cia
Vera Cruz para as gravações internas e as filmagens
externas foram rodadas na cidade de São Paulo com os
equipamentos alugados da Vera Cruz. Estava inaugurada a PAM
Filmes - Produções Amácio Mazzaropi.
(2) Na verdade, em setembro de 1950, Mazzaropi,
com 38 anos, estreava na TV Tupi de São Paulo o mesmo
show que tinha sido sucesso durante muito tempo na Rádio
Tupi: Rancho Alegre - o programa era ao vivo,
todas as quartas, às 21 horas.
Quatro meses depois,
janeiro de 1951, Mazzaropi é convidado para a
inauguração da TV Tupi no Rio de Janeiro. No alto do
Pão de Açúcar, onde se achava instalada a torre
transmissora, acontece a grande festa com a presença do
Presidente, General Eurico Gaspar Dutra.
A apresentação do show
inaugural coube a Luis Jatobá, primeiro locutor da Tupi
carioca.
Mazzaropi também passou
pela TV Excelsior fazendo parte de um programa de sucesso
na época, apresentado por Bibi Ferreira, Brasil 63.
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