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"Meu Japão
Brasileiro" O Estado de S. Paulo, 28 de janeiro de 1965
De verdade, ninguém esperava desta apresentação de Mazzaropi algo de moderno e inusitado, mas não seria muito exigir que o atual cartaz dos Cines Paissandu e Art-Palacio oferecesse, mesmo no plano do simples entretenimento, uma comicidade mais original e menos apegada a tantas fórmulas convencionais, bem como um estudo mais apurado da serenidade e do labor eficiente dos japoneses no Brasil. De pouco adianta a correção artesanal e o cuidado plástico evidenciados pela direção de Glauco Mirko Laurelli, pois o que prevalece é um entrecho totalmente canhestro, com incidentes que se precipitam, não oferecendo a menor surpresa, visto estarem apoiados em chavões já caducos no nosso cinema (e não só nele) como também na televisão. Além de "gags" pouco interessantes, para alongar inutilmente a fita, temos ainda três números musicais. Mas não obstante a ausência total de estrutura, o filme está alcançando boa receptividade por parte do público. É o caso de se afirmar que cada país tem a "chanchada" que merece. Além dos acertos da direção, o filme conta ainda, em seu pequeno saldo positivo, uma bela fotografia em cores claras do extraordinário Rudolph Icsey, que valorizou os locais onde a história foi filmada. Meu Japão Brasileiro não dá boa oportunidade para nenhum ator, a não ser o "astro" principal. Mas mesmo assim é perceptível a naturalidade de Elk Alves (o jovem que se casa com a "nissei") e principalmente de Celia Watanabe, que com sua beleza e peculiar desembaraço consegue escapar do ridículo até mesmo em situações extremamente grotescas como o número musical tipo "La Violetera". |